Aqui tem um pouco de mim, mensagens que recebo, as vezes falam o que se precisa ler naquele momento, algumas nos fazem rir, chorar, exatamente como a vida, momentos bons e ruins. Estes momentos são rabiscos e fragmentos de mim mesma, recolhidos de saudades de coisas que vivi ou que ainda desejo viver.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
Desespero por estar sozinha
Comentando o “Se eu fosse você''
A questão da semana é o caso de Mariana, que está desesperada por ter sido abandonada pelo marido e pela crença de que não saberá viver sozinha.
A história dela é igual a de muitas pessoas que, ao encontrar um parceiro, o transformam em única fonte de interesse. A questão é que no Ocidente somos incentivados, desde muito cedo, a acreditar que só é possível ser feliz se tivermos alguém ao nosso lado. Da mesma forma como a criança pequena se desespera com a ausência da mãe, o adulto, ao perder o objeto de amor, é invadido por uma sensação de falta e de solidão.
Além disso, quando fracassa um projeto amoroso, a pessoa perde o referencial na vida e sua autoestima fica abalada. Entretanto, se as crianças fossem ensinadas a enxergar as coisas como elas são, quando ficassem adultas saberiam que, na maior parte das vezes, as relações amorosas duram apenas um tempo, sem significar fracasso de alguma das partes.
Nem sempre o parceiro satisfaz ou preenche as necessidades afetivas e sexuais do outro, mas isso não é levado em conta. A separação é dolorosa porque impõe o rompimento com a fantasia do par amoroso idealizado, além de abalar a autoestima e exacerbar as inseguranças pessoais. A ideia de felicidade através do amor no casamento influi diretamente na intensidade da dor na separação.
A crença de que o casamento é o único meio de realização amorosa e de que é possível uma complementação total entre duas pessoas, é um equívoco extremamente nocivo. Favorece a simbiose, sobrecarregando marido e mulher como depositários das projeções e exigências afetivas do outro. Sem contar que o ressentimento e o ódio na separação são causados pela constatação de que, ao ir embora, o parceiro frustrou essa expectativa de complementação.
Tudo poderia ser bem diferente. A questão é que, em quase todos os casamentos, as pessoas abrem mão da liberdade, da independência — incluindo aí amigos e interesses pessoais — e por isso se tornam frágeis em caso de ruptura.
Alguns se desesperam durante e após a separação. Podem apresentar um quadro de profunda depressão e em casos extremos até tentar suicídio. Mas, ao contrário do que possa parecer, isso não significa necessariamente que havia um grande amor.
É comum, nesses casos, o outro nem significar tanto, mas sua falta ser sentida de forma dramática por reeditar vivências de perdas anteriores. Não se chora somente a separação daquele momento, mas também todas as situações de desamparo vividas algum dia e que ficaram inconscientes.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Lutar contra a velhice a todo custo é um problema emocional, não físico
Símbolo máximo de elegância, a estilista francesa Coco Chanel, uma das maiores revolucionárias da moda, já dizia no início do século passado: "A natureza lhe dá o rosto que você tem aos 20. A vida talha o rosto que você tem aos 30. Mas depende de você merecer o rosto dos 50".
A frase, porém, foi dita em uma época em que as cirurgias plásticas parceladas em 24 vezes e os tratamentos a laser nem existiam. Hoje em dia, menos conformadas e mais vaidosas, há mulheres que relutam em aceitar os sinais de envelhecimento, procurando clínicas estéticas logo que notam o aparecimento das primeiras rugas.
Que a vaidade na medida certa é saudável, não há cirurgião plástico ou dermatologista que discorde. O problema acontece quando a busca pela juventude se transforma em obsessão, colocando em risco o equilíbrio emocional, a aparência física e, principalmente, a saúde.
"Todos podem melhorar algo: preencher uma ruga, esticar uma papada, atenuar as olheiras. Porém, tudo em excesso deixa de ser natural e harmonioso", diz a médica Eliane Hwang, especialista em cirurgia plástica pela SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e membro do corpo clínico do Hospital São Paulo, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
"A cirurgia plástica bem indicada e bem executada não é aquela em que se nota que um procedimento foi realizado, e, sim, a que deixa a paciente com um aspecto saudável, natural e de proporções estéticas adequadas à idade", afirma.
Ultrapassando os limites
Mas como descobrir que a busca pela juventude está se transformando em obsessão? Há vários sinais de alerta, diz Eliane Hwang. A partir do momento em que a pessoa perde a fisionomia original, significa que os limites do aceitável foram ultrapassados.
O mesmo acontece quando a paciente deixa a vida social, familiar e profissional em segundo plano, para se dedicar a planejar uma nova cirurgia ou procedimento. Ou quando não respeita a opinião do cirurgião plástico ou do dermatologista, insistindo em procedimentos ou cirurgias não indicados pelos especialistas.
Para a cirurgiã plástica Maria Carolina Coutinho, membro da SBCP, há mulheres que estão eternamente insatisfeitas com a aparência, sempre encontrando novos defeitos.
"É aquela pessoa que traz uma foto de artista e diz que quer ter aquele nariz, aquela boca, aquela sobrancelha. E não entende, quando explicamos, que é impossível reproduzir uma característica de uma pessoa em outra, e que determinadas formas ficam harmoniosas em um rosto, mas em outro, não", afirma a cirurgiã.
Consequência dos exageros
A insistência em realizar cirurgias ou procedimentos não recomendados pelos médicos podem trazer consequências desastrosas. A aplicação em excesso da toxina botulínica, por exemplo, pode deixar as sobrancelhas com o formato de triângulo, dando um aspecto "diabólico" às pessoas, diz a dermatologista Denise Lage, membro da Academia Brasileira de Dermatologia. Os lábios com excesso de preenchimento ficam como se fossem um "bico de pato", segundo a especialista. O preenchimento exagerado em bochechas, por sua vez, deixam as pacientes com aspecto de excesso de peso.
"Além disso, os colegas cirurgiões plásticos estão acostumados com pedidos de implantes de silicone exagerados, que podem causar distensão inadequada da pele e sérios problemas de coluna", diz a dermatologista.
O profissional também tem sua parcela de responsabilidade ao incentivar –ou ser conivente– com os exageros. O bom cirurgião plástico é aquele que se recusa a executar um procedimento que cause deformidade ao paciente, não importando quanto deixe de ganhar de honorários, fala a cirurgiã plástica Maria Carolina Coutinho.
"O paciente não tem a conhecimento técnico para saber quando ele próprio está ultrapassando os limites do razoável. Somente o cirurgião pode prever como será o resultado do procedimento solicitado", afirma.
Motivações que levam aos excessos
Há vários fatores que levam a atitudes extremas para manter o aspecto jovem. Para Denise Lage, a busca pela eterna juventude está ligada tanto à vaidade quanto à baixa autoestima. "Muitas pacientes não querem aceitar as marcas do tempo e procuram incessantemente por exageros estéticos", diz ela. Mas também é verdade, acrescenta a dermatologista, que ao se cuidar da beleza a autoestima tende a aumentar, o que acaba ajudando nos relacionamentos pessoais.
"Tenho muitas pacientes que começaram a namorar ou progrediram na carreira depois de se cuidarem mais, já que ficaram mais bonitas e, sem dúvida alguma, mais confiantes", conta a dermatologista.
O importante, de acordo com os especialistas, é não perder a naturalidade. "É ilusão acreditar que ter sempre uma imagem de plástico e artificial torne as mulheres mais bonitas", diz a consultora de estilo e imagem Maria Julia Costa. Mas, de acordo com ela, recorrer a métodos e tratamentos estéticos para corrigir, melhorar e atenuar os sinais de idade é, sim, recomendável, desde que seja para auxiliar na saúde no bem-estar do paciente.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Quando os filhos voam...
Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora.Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas.
Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira...
Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo...
Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o vôo dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora de casa, a primeira viagem...
Desde o nascimento de nossos filhos temos a oportunidade de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar. Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade.
Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar. É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.
É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo longe de nós.
É chegado então o tempo de recolher nossas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar decisões que caminham para longe. Isso é amor.
Muitas vezes, confundimos amor com dependência. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais. Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis. Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados.
Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que impede-os de navegar nas ondas de seu próprio destino.
Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança.
Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.
Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase.
Aprendo que tudo passa menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno.
Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver meus filhos crescidos, se assustam por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível.
Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar.
E não há estrada mais bela do que essa.
Esse fds fiquei emocionada e surpreendida com o pedido de casamento da minha filha.. isso me fez refletir sobre
esse momento da minha vida, divido com os amigos.
Fonte: Quando os filhos voam, por Rubem Alves
Fonte: Quando os filhos voam, por Rubem Alves
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
A dor da separação
A grande maioria das pessoas que responderam à enquete da semana acredita ser impossível separar sem sofrer. Colocar um ponto final num relacionamento é tão doloroso, que muitos consideram o sofrimento comparável em intensidade à dor provocada pela morte de uma pessoa querida. Contudo, de um jeito simples ou complicado, com raiva ou tranquilidade, o fato é que em todas as partes do mundo as pessoas se divorciam. E ao contrário da nossa cultura, que, em muitos casos, faz do divórcio um drama, alguns povos encaram com naturalidade a dissolução do casamento.
Entre os apaches o divórcio ocorria quando a esposa punha as roupas do marido fora de casa, sinal para ele retornar à mãe; ou então ele dizia que ia caçar e não voltava. E chegamos ao extremo, na velha China, onde uma lei permitia ao homem se divorciar da esposa tagarela. A separação inicia seu processo lentamente, na maior parte das vezes de forma inconsciente. A relação vai se desgastando e a vida cotidiana do casal deixa de proporcionar prazer. Aos poucos, o desencanto se instala.
Chegar a perceber que o casamento traz mais frustrações do que alegrias é uma trajetória bastante sofrida. Não são raras as tentativas de desmentir o que se está sentindo, principalmente, pelas expectativas de realização afetiva depositadas na relação. Em algum momento pode-se chegar à conclusão de que o próprio casamento não funciona porque nunca funcionou ou porque atingiu seu fim natural. Muitas vezes, apesar de se ter uma visão clara do que está ocorrendo, adia-se qualquer tipo de decisão. “Antes de mais nada, o indivíduo começa a se sentir corroído pela dúvida e pela esperança de ter interpretado mal as coisas, apesar de seu mal-estar reiteradamente confirmar a exatidão das conclusões a que chegou. Todavia, continua a adiar uma decisão definitiva, na esperança secreta de que um milagre o faça voltar aos felizes tempos em que eram amantes e companheiros de vida.”, diz o psicólogo italiano Edoardo Giusti.
A separação é dolorosa porque impõe o rompimento com a fantasia do par amoroso idealizado, além de abalar a autoestima e exacerbar as inseguranças pessoais. A pessoa se sente desvalorizada, duvidando de possuir qualidades. A ideia de felicidade através do amor no casamento influi diretamente na intensidade da dor na separação. Para a psicoterapeuta Ieda Porchat, além da perda da pessoa amada, na separação não é raro se perder amigos, filhos, estilos de vida. Assim as perdas criam um vazio difícil de suportar.
Em todas as formas de separação, perda e sentimentos de vazio são fatos recorrentes, ainda que variem em qualidade e intensidade. Seja porque a pessoa foi deixada, seja porque é ela que deixa – amor, ódio, culpa, tristeza, medo, solidão, sensação de abandono, sentimento de fracasso, desorientação, quadros de estresse físico e emocional podem constituir a vida psíquica dessas pessoas longo tempo. A experiência de perda do outro na separação também é dolorosa por sofrer influência de vivências anteriores. Perdas e situações de desamparo vividas em outra época podem ser reeditadas, repercutindo sobre a perda atual.
Fonte: http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2013/10/15/a-dor-da-separacao/
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