quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Mensagem Natal - Grupo Zaffari

O filme de Natal do Grupo Zaffari de 2013 traz uma série de valores para inspirar todo mundo, não só na data especial, mas diariamente.

Que você saiba como aproveitar os seus dias e as pessoas que ama.
Que você consiga dizer tudo o que sente.
Que você saiba agradecer.
Que você cuide das pessoas, dos animais e das plantinhas.
Que você valorize tudo aquilo que a vida lhe dá.
Que você entenda que toda hora é hora de ajudar alguém.
Que você pratique a gentileza no seu dia a dia.
E, por fim, que você compreenda que um simples gesto pode fazer a diferença na vida do outro.

Feliz Natal!


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=zmiHEkMfpvw

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Dê um jeito no seu sonho

O que abunda não prejudica, afirma com razão o provérbio. Melhor sobrar do que faltar, repete o senso comum. Mas entre nós, brasileiras e brasileiros, quantas vezes experimentamos a abundância ou a sobra?
Somos uma gente criada, na sua maioria, na escassez e nos precisos centímetros. Aprendemos em ambientes nos quais sempre falta algum capítulo da cartilha ideal. Ora não há dinheiro, ora não há pessoal treinado, ora inexiste infraestrutura.
E de nada adianta culpar o Seu Cabral, o rei, os imperadores, os republicanos. Assim como ajuda pouco desancar políticos e eleitores. Nossa fome é mais complexa, nossos problemas mais disléxicos. Para alcançar a fartura, teremos que melhorar o fora e o dentro. O avião e o aeroporto.
Também acredito que na Finlândia, Suécia, Japão, EUA, haja cenários mais propícios para que indivíduos e equipes possam, trabalhando duro, realizar seus projetos. Por aqui, não faltam trabalho duro e nem frustrações profundas. Você já não empreendeu algo que morreu na praia?
De solavancos, derrapagens e atolamentos em estradas de terra, aproveitamos algumas lições. A principal delas é que sonhar não basta. O sonho é como um motor de arranque. O que tira você da inércia para o movimento. Mas ele sozinho não é suficiente.
Sonho transformador é aquele que se torna concreto na vigília. Então, depois do arranque, para seguir viagem até o destino, são necessários combustível, provisões, peças de reposição. Também bem-vindos GPSs, roteiros, informações.
O que nos salva da noite sem luz é que a escassez pode favorecer a criatividade. Pois o "não ter tudo" cutuca a inteligência. Faz muitos anos, tive a honra de entrevistar a cientista Johanna Döbereiner (1924-2000), então pesquisadora da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. A doutora já estava no final de sua interessante vida.
Ela foi autora e coordenadora de pesquisas sofisticadas e inovadoras na agrobiologia. Nossa potentosa produção de soja deve muito a ela. Johanna ensinava: "Não é porque faltou um barbante ou papel alumínio que vamos paralisar um projeto."
É evidente que não estou fazendo a apologia da desgovernança ou da carência. Mas observo que ações vitoriosas são aquelas regadas pelo entusiasmo, pela persistência e por baldes cheios de soluções inventivas.

O rock sumiu das rádios?

Qual a surpresa? Por Regis Tadeu | Na Mira do Regis – 18 horas atrás

Foi com certo estardalhaço que li em diversos locais espalhados pela internet a notícia de que este anos o rock teve a pior performance em termos de presença nas paradas de músicas mais tocadas nas rádios do Brasil nos últimos 14 anos. A informação veio de um relatório feito por uma empresa chamada Crowley, baseado em dados obtidos por monitoramentos realizados desde 2000. Vi gente escrevendo tantos absurdos a favor e contra esta notícia que fiquei com vontade de dar uns pitacos.
Pra começar que esta “controvérsia”, esta “polêmica” só se instala na cabeça de quem desconhece profundamente como funciona as entranhas de uma rádio comercial. Justamente por ter dois programas de FM em uma emissora não comercial, a Rádio USP FM – quem quiser saber mais a respeitos destes programas pode clicar aqui e aqui -, sei exatamente de como a coisa toda funciona em termos de “as mais pedidas”. E vou te contar umas coisinhas aqui que vai deixar você muito, mas muito decepcionado.
Primeiro: não existe as “paradas das mais pedidas”, “as dez mais dos ouvintes” ou esse tipo de coisa. Tudo cascata. As rádios não têm plataformas e tabulações para contabilizar sugestões dos ouvintes. Se você ainda tem a ingenuidade de ligar para sua emissora favorita para “pedir música”, saiba que sua sugestão é recebida com gargalhadas contidas com as mãos do funcionário da emissora que as recebe e é alvo de escárnio assim que o telefone é desligado. Lamento, mas é isto o que ocorre de verdade.
Agora que você já sabe disto, tem que entender que a tal notícia a respeito da ausência do rock das paradas radiofônicas é apenas o resultado de algumas verdades inquestionáveis...
Segundo: quem gosta de rock não vai pedir suas músicas favoritas para emissoras que passam o tempo tocando aquilo que gravadoras e empresários vêm pagando na forma de “verba de publicidade” ou “promoções”, que é justamente o tal de “sertanejo universitário”, só para citar um exemplo musical mais em voga. Depois você tem que entender que ninguém precisa de rádio hoje em dia para ouvir música. Cada um de nós pode montar sua própria programação musical no telefone celular! É por isto que a audiência das emissoras de rádio – que tocam as mesmas coisas o tempo todo por causa das “verbas de promoção” - vem caindo ano a ano.
Diga com sinceridade: qual é a banda de rock – rock mesmo, sem o traço mais diluído do pop – que faz parte do mainstream, da grande cena musical brasileira que está também presente nas TVs, que está fora do underground dos bares e circuitos do SESC? Vá lá, eu espero você pensar um pouco... Pois é, não tem, né? Não tem mais Charlie Brown Jr., Pitty desapareceu, Skank não pode ser chamado de “rock”, Jota Quest é pop da pior qualidade, e outros grupos então onipresentes - Capital Inicial, Titãs, Linkin Park e tantos outros – estão restritos às pouquíssimas “rádios rock” existentes... Não há um único grande nome que justifique a sua presença nas ‘trocentas mil’ emissoras de rádio no Brasil.
Lamentavelmente, o processo de emburrecimento coletivo que vive o Brasil dá margem para o surgimento de barbaridades como Naldo, Anitta, Michel Teló, Paula Fernandes, Luan Santana e seus imitadores, o execrável “funk carioca” e mais um monte de outras porcarias. Isto sem contar as duplas sertanejas “dor de corno” e os pagodes xexelentos... É isto o que virou a música do Brasil nas rádios. Tudo financiado pelas “verbas de promoção”.
Então eu te pergunto: você está realmente surpreso em saber que o rock sumiu das rádios comerciais? Eu não...

domingo, 17 de novembro de 2013

Eu sei, mas não devia - Marina Colasanti

Recebi essa texto do Fernando, amigo de muitos anos que já mandou muita coisa bacana, essa   escritora Marina Colasanti, eu não conhecia e me surpreendi pela minha ignorância, vale a pena ler.. Compartilho com  todos.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.


A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.



A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.



A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.



A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 



A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.



A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.



A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.



A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.



A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.



(1972)



Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.


Conteúdo de propriedade da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura).