sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sorte, acaso, coincidências: temos controle sobre o nosso destino?


O físico norte-americano Leonard Mlodinow não só defende como afirma dever sua existência ao poder do acaso. Seu pai esteve em um campo de concentração nazista na Segunda Guerra Mundial e lá perdeu sua família, mas conseguiu sobreviver. Acabada a guerra, mudou-se para os Estados Unidos, onde conheceu aquela que seria sua nova mulher e com quem teria novos filhos, entre eles, Leonard. Muitos anos depois, o filho do sobrevivente da guerra estava nos arredores do World Trade Center quando ocorreram os atentados de 11 de setembro. Mas, assim como seu pai, ele também sobreviveu.

Alguns podem dizer que a família Mlodinow é azarada, afinal, passaram por situações terríveis. Outros podem dizer que eles são sortudos por terem escapado. O físico, autor do best-seller "O Andar do Bêbado – Como o Acaso Determina Nossas Vidas" (Ed. Zahar) e co-autor de livros ao lado do físico e cosmólogo Stephen Hawking, concorda com ambas. "Eu fui azarado por estar no 11 de setembro, mas sortudo porque sobrevivi", afirma.

Para Mlodinow, nossas ações não afetam a sorte ou o azar. "Nós temos certo controle sobre algumas coisas. Mas geralmente acreditamos ter mais controle do que realmente temos", afirma ele. "Por exemplo, pessoas acreditam mais em bilhetes de loteria quando elas escolheram os números do que quando levam um bilhete com números aleatórios”, diz.

Todas as pessoas, ao longo da vida, são afetadas por lances de sorte ou de azar, segundo o filósofo e jornalista Jacob Petry, autor de "O Óbvio que Ignoramos" (Ed. Lua de Papel) e "Ninguém Enriquece por Acaso" (Ed. LeYa). Mas, para ele, muitas vezes, um evento é consequência de uma sucessão de pequenas escolhas que podem ter sido ignoradas e, por isso, acreditamos ser obra da sorte ou do azar. "Dizer que você pode fazer o que quiser da vida, mas que, no final das contas, a sorte irá definir o que irá acontecer é confortável, mas perigoso, pois tira de nós a responsabilidade das escolhas".

Para o professor Moacyr Duarte, pesquisador do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) e especialista em análise de acidentes e controles de emergência, as situações que não controlamos não podem ser atribuídas à sorte ou ao azar. "Se você vai a um bom restaurante e tem um arrastão, logo pensa ‘isso foi acontecer justo no dia que decidi vir aqui’. Mas isso já vinha acontecendo antes, havia uma estatística de assaltos. Interpretar isso como azar não tem sentido prático nenhum".
Nada é por acaso
Quando Duarte faz as análises de acidentes, observa encadeamentos de eventos que parecem coincidências incríveis. "Mas toda coincidência tem origens claras e passíveis de correção", diz. Ao elaborar os planos de emergência de um estádio de futebol, por exemplo, Duarte toma por princípio a conhecida Lei de Murphy, ou seja, se algo pode dar errado, dará. Assim ele considera que brigas, bêbados, ladrões, problemas meteorológicos, falta de luz e água podem acontecer ao mesmo tempo. "Pensamos que tudo poderá dar errado. Do ponto de vista da crença, trago um agouro terrível. Só chego para por defeito e pensar no pior".

Como não poderia ser diferente, o presidente da Sociedade Brasileira de Céticos e Racionalistas, Renato Sabbatini afirma que sorte e azar não existem. Sabbatini, que é neurocientista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, dá um exemplo: "Se você jogar na roleta, no preto ou vermelho, tem 50% de chances de ganhar. É um fenômeno aleatório. Mesmo se você acertar quase todos e levar uma bolada de dinheiro, é muito fácil de descrever as probabilidades para que isso tenha acontecido. Não depende da sorte ou do azar”, afirma.

Sabbatini cita o exemplo de uma pessoa que decide que a sorte estará do seu lado e que irá mudar de emprego. "Ela começa a enviar currículos e um dia recebe uma proposta, e atribui isso à sorte, mas isso só aconteceu porque ela mesma modificou as probabilidades", afirma. 

A ciência explica
Segundo o neurocientista, nosso cérebro tende a interpretar duas coisas que acontecem, uma após a outra, como uma relação de causa e efeito. E daí surge a crença. "Se um predador fizer um barulho perto de um rato e ele escapar, sempre que ouvir esse ruído ele vai se esconder", exemplifica. "O primeiro cara que passou debaixo de uma escada e algo caiu sobre sua cabeça associou ao azar. Isso é biológico, evolutivo, fundamental para a sobrevivência". Segundo ele, o ser humano tem o cérebro voltado para a fé, e as pessoas acreditam em coisas irracionais.

Mlodinow, porém, afirma que as pessoas tendem a crer que tudo tem um motivo e buscam justificativas. "Mesmo as pessoas que acreditam na sorte frequentemente acham que podem influenciar os acontecimentos pelo modo como se comportam ou por ter Deus ao lado delas".
Livre arbítrio x destino
Mlodinow escreve em "O Andar do Bêbado" que “o desenho de nossas vidas, como a chama da vela, é continuamente conduzido em novas direções por diversos eventos aleatórios que, juntamente com nossas reações a eles, determinam nosso destino". Jacob Petry questiona o que de fato define o rumo de cada um: o destino ou o livre arbítrio? Se for o destino, tudo depende da sorte ou do azar. Se for o livre arbítrio, depende apenas de nossas escolhas.

Para ele, não há como negar que certas coisas nos fogem do controle. "Não escolhemos nossa família, nossa educação, estado econômico do nosso país de nascimento, e tudo isso influencia nossos resultados”, diz. Por isso, ele conclui que ambos têm papel fundamental na nossa vida. Ou seja, embora exista aquilo que não controlamos, temos o livre arbítrio para agir sobre nossa sorte ou azar conforme desejamos.
A sorte é a chave do sucesso?
Para Leonard Mlodinow, a sorte não é a única maneira de alcançar o sucesso, mas é fundamental. “O sucesso depende tanto do acaso quanto das habilidades e trabalho duro", diz.

Para Jacob Petry, quando uma pessoa busca algo intensamente, é possível que consiga quando menos se espera. "Embora acidentais, essas descobertas só aparecem porque buscamos. A pessoa provoca esses resultados, mesmo que de forma indireta”, diz. Para ele, se você apostar na mega-sena e acertar, é um "acidente positivo" que você criou. "Sorte é você estar distraído andando na rua e pisar numa coisa estranha, olhar e ver que é uma pepita de ouro. Você não fez nada para ela aparecer, mas isso causou um grande impacto na sua vida".
Influência psicológica
Embora a existência da sorte seja alvo de discórdia, os especialistas concordam que as pessoas que se consideram sortudas podem aproveitar melhor as oportunidades. "A sorte é muito mais um estado mental favorável criado por elas mesmas. Estão sempre atentas a coisas que possam afetá-las positivamente, por isso as detectam mais facilmente", afirma Petry.

O mesmo vale para quem se diz azarado. “Se há uma tendência de enxergar tudo negativamente, a pessoa vai interpretar os fatos como azar", diz Jason Gallas, professor de física da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). Para ele, o mais importante é se conscientizar de que cada um faz sua sorte ou azar. "Temos mania de chamar de acidentes coisas que são previsíveis", afirma Gallas. 
A psicóloga e psicodramatista Cecília Zylberstajn diz que quem se considera sortudo tende a ser mais otimista, expansivo e criativo, capaz de encarar a vida positivamente. "Se você sempre busca oportunidades, as coisas vão acontecer para você", diz. Não custa nada tentar.

Transforme o medo em motivação para alcançar seus objetivos


O medo nos congela e atrapalha a conquista de nossos objetivos, mas, se usado da forma correta, também pode ser uma forte motivação. Como? Basta aprender a enfrentar a paralisia que nos ataca nesses momentos e a transformar a ansiedade em ação.
Quais são as suas ambições mais assustadoras? Pedir demissão para começar o próprio negócio? Viajar sozinho pela Europa? Objetivos grandiosos ou pequenos, não importa, o medo pode atrapalhá-lo ou inibi-lo de formas que nem imagina. Você já deve ter ouvido falar da reação "brigar ou fugir", instinto animal de que somos equipados e que garante nossa sobrevivência; pois bem, quando acionado por uma ameaça real ou imaginária, o centro emocional do cérebro --a amídala-- avisa ao corpo que libere hormônios de estresse, tais como a adrenalina. Eles, por sua vez, põem em ação o sistema nervoso simpático, deixando-o preparado para distribuir socos ou disparar pela porta.
Só que o medo também leva a uma reação menos conhecida: o instinto de congelamento, que se manifesta quando você pensa em fazer algo assustador e, em vez de ir para a frente, simplesmente para. "Essa paralisia é a reação menos útil do medo", diz Kelly McGonigal, pesquisadora da Universidade de Stanford e autora de "The Willpower Instinct". A boa notícia é que agora os cientistas estão começando a entender como é possível superar essa reação e usar a emoção como fonte de motivação. 
Pode até parecer contraditório se colocar em situações difíceis; afinal não há tantos recursos para aliviar a tensão por aí justamente para acabar com essa resposta de "brigar ou fugir"? Segundo Jeff Wise, autor do livro "Extreme Fear", é importante fazer a distinção entre o estresse agudo e o crônico. Desafiar a si mesmo regularmente com fatores estressantes de curto prazo --como aulas de trapézio ou andar na montanha-russa, por exemplo-- pode melhorar sua tolerância a situações estressantes de longo prazo e ajudá-lo a lidar com situações assustadoras com mais facilidade: toda vez que seu corpo aciona o sistema nervoso simpático, passa por um momento assustador e volta à estaca zero, ele se torna um pouquinho mais eficiente em termos de gerenciamento desse ciclo.
O primeiro passo para começar a tirar vantagem do medo é tornando-se consciente dele o tempo todo, explica McGonigal. Como fazer isso? Pense nos objetivos que mais o assustam --correr a maratona, abrir um negócio; a seguir, imagine a si mesmo daqui a vários anos ou décadas sem ter realizado nenhum deles, confinado ao mesmo empreguinho sem graça. "Deixar bem claro o resultado da falta de ação é um fator extremamente motivador", ela garante.
Ainda assim, o cérebro não vai deixar os pés se moverem se não souber aonde está indo. "Você vai permanecer imóvel até acreditar que há algo que possa fazer para mudar a situação", afirma McGonigal. Para decidir o melhor caminho a tomar, fale com quem conseguiu alcançar a meta com que você sonha. Por exemplo, se não tem nem ideia de como começar a treinar para uma maratona, entre para um clube de corrida para receber conselhos de competidores experimentados.
Também ajuda destrinchar grandes sonhos em "pedaços" menores e mais fáceis de realizar. Claro que a ideia de correr 42 quilômetros é assustadora, mas você pode começar a disputar corridas de cinco quilômetros. É essencial também deixar bem claro o que quer: metas que requerem esforço, mas são específicas, oferecem resultados muito mais satisfatórios que objetivos vagos, como mostra uma pesquisa da Universidade de Maryland. "Toda vez que você passa um item da categoria 'Não sei se consigo fazer isso' para a 'Eu sei que consigo fazer isso', sente mais confiança na própria capacidade de assumir desafios maiores".

A fisiologia do medo

Lilianne Mujica-Parodi, neurocientista clínica e engenheira biomédica da Universidade Stony Brook de Nova York, explica a reação da mente e do corpo ao medo para que possa se acalmar mais rápido.
1. O medo é detectado primeiro no córtex sensorial; a partir daí, é filtrado pelo tálamo, que envia um sinal que segue dois caminhos: primeiro, vai para a amídala, que faz com que você congele antes mesmo de se conscientizar da ameaça; depois, para o córtex pré-frontal, onde é analisado com mais cuidado.
2. A amídala avisa o córtex pré-frontal para "tomar cuidado", fala para o sistema nervoso liberar substâncias como cortisol (que manda glucose para a corrente sanguínea, forçando-o a correr ou a brigar) e acelera a respiração e os batimentos cardíacos (bombeando oxigênio nos músculos).
3. Seu cérebro é inundado de compostos opioides, semelhantes à morfina, que agem como analgésico. "Dessa forma, não percebe a dor da briga ou da fuga", afirma Mujica-Parodi. (Já esteve num acidente de trânsito e só foi notar o corpo dolorido dias depois? Essas substâncias explicam).
4. Depois que o susto passa, o sistema nervoso autônomo entra em ação, acalmando o corpo. Quase sempre ele passa do limite, deixando-o mais relaxado do que você estava antes de a situação ter início. "Nossa pesquisa mostra que muitos paraquedistas chegam à terra firme bocejando", conta Mujica-Parodi. "O esporte é uma forma de relaxar".

Os benefícios do medo

O medo pode ajudá-lo a desenvolver poderes (quase) sobre-humanos.
1. Velocidade e força
Já imaginou por que tantos recordes mundiais são quebrados em competições de alta pressão como as Olimpíadas? Sob condições normais, o cérebro impõe um limite à capacidade de atuação dos músculos --mas quando há muita coisa em jogo, ter medo o torna mais rápido e mais forte do que jamais sonhou.
2. Concentração
Ficar nervoso antes de uma entrevista de trabalho é bom: a princípio, o medo faz com que você concentre toda a sua atenção em eliminar uma ameaça particular e, assim, pode se superar encontrando uma solução para ela. (Vale notar, porém, que se o medo é excessivo, o efeito é o contrário.)
3. Reflexos mais rápidos
Quando sente que está caindo, você automaticamente se estica para se segurar. Por quê? A amídala processa a ameaça antes que você o faça conscientemente e seu corpo reage na mesma hora.

Trocar o certo pelo duvidoso exige mais reflexão do que coragem


Continuar no emprego que oferece um bom salário e plano de carreira ou partir para um cargo diferente, numa empresa menor, mas com possibilidades de desenvolver antigos projetos? Terminar o último ano da faculdade ou trancar a matrícula para viajar pelo mundo? Carteira assinada ou autonomia? Marcar casamento ou namorar mais? Insistir em amizades que não são lá muito recíprocas ou se aventurar em conhecer pessoas diferentes?

Não tem jeito: certas decisões cruciais na vida implicam ganhos e perdas e, por isso, devem ser muito bem pensadas. Mais do que pesar os prós e contras dos fatores práticos da questão, é importante ter em mente de que algumas escolhas nem sempre são definitivas ou irreversíveis como parecem.

Obras de ficção, de modo geral, transmitem a ideia de que é possível tomar resoluções por impulso ou movidas por sinais tidos como mágicos –um acidente trânsito, um sorriso de alguém passando na rua, uma canção que toca na hora certa no rádio... E lá se vão os personagens para os braços de um novo amor, uma mudança de país ou para um emprego maravilhoso que os farão felizes para sempre.

Na vida real, o final feliz exige muito esforço. "A precipitação pode render muita dor de cabeça, e não o resultado feliz de Hollywood. Para trocar uma situação certa por uma duvidosa, primeiro é preciso analisar as motivações internas. O que te faz tender para um caminho ou ou para outro?", pergunta Suzana Contieri, docente do curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo. 

Segundo Suzana, é bom observar a sensação de enfado, tédio ou insatisfação com a situação atual. "Ela pode ser sintoma de um fato pontual ou de uma fase mais difícil. Nesse caso, é bom dar um tempo para que esse período passe antes de tomar qualquer atitude. Se o incômodo não for passageiro, é hora de repensar o que escolheu e partir para outra", diz.

E quando o certo inclui circunstâncias que têm proporcionado pouco prazer, como um emprego chato ou um casamento que caiu na rotina, e o duvidoso oferece a possibilidade de muita alegria, mesmo que os benefícios práticos como salário sejam menores, vale a pena pensar em fazer a mudança, de acordo com a psicóloga Roseana Ribeiro. Mas antes de tomar qualquer atitude radical pergunte-se: suportarei as consequências se tudo der errado?
 

O que é importante para você?

 
Quando não existe nenhum tipo de insatisfação concreta com o momento atual, a não ser o peso da dúvida sobre mudar ou não, vale a pena usar os próprios valores pessoais como critério para escolher.

Alexandre Bortoletto, instrutor da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística, ensina uma técnica bastante produtiva: faça uma lista sem número de itens definido com tudo aquilo que é importante na vida para você, como família, liberdade, aventura, segurança financeira, convívio com outras pessoas etc. Depois, selecione dez que considera primordiais e os hierarquize.

"Essa ordem de prioridades define bem quem você é e pode apontar qual rumo tomar. Se você colocou família em primeiro lugar e está em dúvida se passa ou não um ano sabático em um país distante, é provável que a decisão de viajar não seja uma boa escolha, pois provocará sofrimento", diz o ele. 

Do mesmo modo, alguém que coloca "aventura" antes de "segurança material" certamente se sentirá mais realizado ao trocar uma carreira consolidada por um projeto profissional iniciante.

Se perceber a necessidade de ouvir a opinião de alguém antes de optar, procure quem tenha valores parecidos com os seus. "Isso abre espaço para a ajuda, em vez de confundir ainda mais", diz Alexandre. 
 
A psicóloga Roseana Ribeiro afirma que nenhuma mudança é tão eterna quanto parece à primeira vista e lembra que ninguém se mantém do mesmo jeito ao longo da vida. Todo mundo passa por modificações internas provocadas pela idade, pelas experiências, pelo convívio com outras pessoas. Por isso, optar pelo que parece confortável em vez de partir para o incerto não significa que a pessoa decidiu ficar estagnada ou parada no tempo, mas, sim, que aquela escolha foi a melhor para sua vida naquele momento.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Mudar o mundo...


O pior adoecimento é o conformismo, pois amortece a vontade, fragiliza a luta, mata a esperança. Seguir em um namoro requentado, persistir num péssimo emprego, emudecer diante de uma injustiça são alguns sintomas da resignação.

Entendo: o mundo é vasto, a sociedade é complexa, o sistema tem a sutileza de um trator, as flores são frágeis. Há desigualdade, desorganização, corrupção e maldade. Tem canalha com auréola de santo. Tem santo de pau oco. Há puxadores de tapetes, e arrivistas que se dão bem.

Mas mesmo o sórdido, o obscuro, o nefasto não são eternos. Eles não gozam do status de deuses. Nem está escrito em parte alguma que não possam ser enfrentados. Também sei que toda gente está cansada de promessas. Está farta de pagar sonhos de revoluções.

No entanto, um mar de dificuldades não quer dizer que os horizontes foram borrados. Há uma energia de transformação dentro da coletividade: escravos se rebelam, mulheres se emancipam, gays e lésbicas se assumem, pessoas com deficiência põem cara e pernas para fora.

Dentro de cada indivíduo existe criatividade e vontade de fazer o melhor. Esse sentimento começa na infância e, muitas vezes, é sufocado na medida em que os anos passam. Um tremendo prejuízo para todos. É triste que o inquieto de ontem seja o conformista de hoje.

Tenho para mim que não queremos, e nem devemos, aceitar a injustiça como normal, o malfeito como bem-feito, o pato como ganso, a vida como destino pré-escrito. Acho que existimos para fazer alguma diferença. Não acredito que tantos recursos sejam para nada.

Por exemplo, nascemos para tornar o mundo melhor. Para isso não é preciso pegar em armas, assaltar o poder, discursar para as massas, converter pessoas. Ninguém precisa ser um herói, um comandante, ou um chato, para transformar as coisas.

Basta que cada um, dentro da sua circunstância, encontre seu jeito de mudar o mundo. Fazendo trabalho de formiguinha, agindo no varejo. Pondo fé na sua própria importância. Um bom pedreiro faz mais bem ao mundo do que um médico ruim.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Como lidar com o complexo de inferioridade


Pessoas pessimistas e com baixa autoestimageralmente se sentem inferiores aos outros e sofrem muito com pensamentos negativos.  Isso pode acarretar em problemas psicológicos mais graves, como o complexo de inferioridade. Segundo a mestre em psicologia clínica e doutora em ciências sociais Jurema Teixeira, esse complexo é um conjunto de sentimentos e percepções negativas que uma pessoa tem de si mesma.
Para identificar se você tem esse complexo, veja as dicas da psicóloga e saiba como lidar com esse problema.
Por que isso acontece?
De acordo com a especialista, a pessoa com complexo de inferioridade acredita que é ruim em todas as áreas e sempre se compara com os outros.  “O motivo é individual, mas podemos pensar, a partir da psicanálise, que as causas estão na infância. Algo aconteceu ou constitui relações com as principais pessoas da sua vida, que sempre espelharam de forma negativa para esta pessoa”.
Como identificar?
É muito fácil perceber se a pessoa apresenta características de quem tem complexo de inferioridade. A psicóloga lista as principais:
- A pessoa não acredita em si mesma e sente-se incapaz;
- Acredita que nada vai mudar;
- Vê sempre o lado sombrio da vida;
- Apresenta uma percepção negativa sobre qualquer coisa;
- Acha que não vai dar conta da vida.
Tratamento
Jurema afirma que a ajuda de um psicólogo é imprescindível: “As pessoas  devem procurar ajuda especializada com psicólogos. Ao fazer uma psicoterapia ou uma análise com profissional competente, o indivíduo consegue entender a causa do problema e, gradativamente, vai mudando”.
No entanto, não é somente o psicólogo que deve fazer sua parte. A pessoa que sofre com baixa autoestima deve se esforçar e tentar ao máximo reavaliar suas atitudes e visões de mundo. “Além da psicoterapia, a pessoa pode confrontar a sua percepção com aquilo que os outros , ao redor, acham dela. Dessa forma, ela pode se  surpreender positivamente”, completa a especialista.
O importante é olhar para si e valorizar seus pontos fortes e qualidades. Lembre-se que alguns problemas são passageiros e para quase tudo na vida há solução. Uma boa alternativa é conversar com pessoas próximas e queridas – a ajuda de amigos e familiares é fundamental!

 Consultoria: Prof. Dr. Jurema Teixeira – mestre em psicologia clínica e doutora em Ciências Sociais e coordenadora do curso de psicologia da UNIBAN- Osasco